Quem me dera uma lima

Quem me dera uma lima,
Ou um limão azedo
Para talhar o fastio
A quem o ganhou tão cedo!
(Amarante, Castelo de Paiva) II-368

O limão tira o fastio,
A laranja o bem-querer;
Tira de mim o sentido,
Se me queres ver morrer.
(Rebordainhos, c. de Bragança) II-54

Anúncios

Atirei o limão correndo

Atirei o limão correndo,
Foi parar à sacristia
Acertei na careca ao padre;
isso mesmo é que eu queria.

Atirei o limão correndo,
à tua porta parou…
Todo o amor que eu te tenho
O limão bem no mostrou.

Deitei o limão correndo,
à tua porta parou…
Toda a fala que me deste,
No coração ficou?

Limão não compro, nem vendo,
Nem o trago de encomenda…
É fruta muito azeda;
não a quero, cá na tenda.

O limão causa o fastio;
A laranja, o bem querer…
Tira de mim o sentido
Se me queres ver morrer.

O limão é fruta azeda
Para remédia da botica
Ama-se a quem é de gosto
Quem não de gosto não fica.

Tanto limão, tanta lima,
Tanta silva tanta amora!…
Tanta menina bonita
E meu pai, sem uma nora.

Tanto limão, tanta lima,
Tanta fruta pelo chão!
Tanta menina bonita
Nenhuma na minha mão.

AS/CEDM