Loureiro, verde loureiro

Loureiro, verde loureiro
Seca seja a tua rama
Inda não tenho amores
E já me quereis pôr a fama.

O loureiro bate , bate,
Eu bem no ouço bater,
Com as pontas no telhado
Para o meu amor entender.

Se o loureiro não tivesse,
Pelo meio tanta rama,
Da minha janela via
Os olhos da minha Ana.

AS/CEDM

Limoeiro da calçada

Limoeiro da calçada
Já não torna a dar limões
Que lhe cortaram a rama
Para render corações.

Assubi ao limoeiro
Lá no meio fiz encosto
Em amar-te fiz muito bem
Mas não fui eu do teu gosto.

Eu subi ao limoeiro,
Cheguei ao meio caí…
Se o limoeiro é morte…
Eu para morrer, nasci.

A silva verde, cheirosa
Assubiu ao limoeiro
Anda lá de ramo em ramo
Se cai ao chão perde o cheiro.

AS/CDEM

Atirei o limão correndo

Atirei o limão correndo,
Foi parar à sacristia
Acertei na careca ao padre;
isso mesmo é que eu queria.

Atirei o limão correndo,
à tua porta parou…
Todo o amor que eu te tenho
O limão bem no mostrou.

Deitei o limão correndo,
à tua porta parou…
Toda a fala que me deste,
No coração ficou?

Limão não compro, nem vendo,
Nem o trago de encomenda…
É fruta muito azeda;
não a quero, cá na tenda.

O limão causa o fastio;
A laranja, o bem querer…
Tira de mim o sentido
Se me queres ver morrer.

O limão é fruta azeda
Para remédia da botica
Ama-se a quem é de gosto
Quem não de gosto não fica.

Tanto limão, tanta lima,
Tanta silva tanta amora!…
Tanta menina bonita
E meu pai, sem uma nora.

Tanto limão, tanta lima,
Tanta fruta pelo chão!
Tanta menina bonita
Nenhuma na minha mão.

AS/CEDM

A maçã da macieira

A maçã da macieira
Não deve ser enxertada
É como a moça solteira
Que espere de ser casada.

A maçã que tu me deste
Nem a comi, nem a dei;
Tenho-a na minha caixa…
Com ela, te pagarei.

Da maçã quero uma trinca
Da pêra uma talhada
Da laranja quero um gomo
Do limão não quero nada.

Minha maçã picadinha
Picada de rouxinol;
Se não foras picadinha
Eras linda como o sol.

Minha maçã vermelhina
Picada de rouxinol;
Quem te picou que te coma,
Que já te tirou o melhor.

Minha maçã vermelhinha
Criada na macieira…
És bonita em casada…
Que faria em solteira.

Ó alta serra das neves
Onde se pinta a lindeza…
Hei-de pintar o teu rosto
Com uma maçã camoesa…

Para a semana que vem
Vou à feira dos Carvalhos
Vender maçãs e marmelos
Mercar cebolas e alhos.

AS/CEDM

Eu gosto muito de pêras

Eu gosto muito de pêras
Sendo elas cabaçais
Gosto do nome de António
De Joaquim muito mais.

Eu gosto muito de pêras
Sendo elas de Amorim.
Gosto do nome de António
Muito mais de Joaquim.

Pereira, dá-me uma pêra.
Ó silva, dá-me uma amora…
Meu amor, dá-me um abraço,
Que me quero ir embora.

AS/CEDM

Meu amor, se queres cerejas

Meu amor, se queres cerejas,
Apega-te à cerejeira…
Vai comendo e vai botando,
Vai metendo para a algibeira.

Antoninho pé de cravo
Manuel, pé de cereja…
Os meus olhos não se riem,
No dia em que te não veja.

Branquinha como o papel
Corada como a cereja…
Tu és a cara mais linda
Que entra na nossa Igreja.

Branquinha como o papel
Corada como a cereja…
Tu és a primeira fruta
Que o meu coração deseja.

Chamaste-me cerejinha,
Diante de toda a gente…
Agora me queda o nome:
cerejinha para sempre.

AS/CDEM

Quem tem pinheiros tem pinhas

Quem tem pinheiros tem pinhas
Quem tem pinhas tem pinhões
Quem tem amores tem zelos,
Quem tem zelos tem paixões.

Oh! que pinheiro tão alto!
Por onde botas a raiz?
Na pedra do lavadouro
Onde lava a Beatriz.

Oh! que pinheiro tão alto
Quem lhe há-de deitar a rama
Uma mocinha do Porto
Que se chama Mariana.

Pinheiro dá-me uma pinha
Ó pinha dá-me um pinhão
Menina dá-me os teus olhos
Que eu dou-te o meu coração.

Pinheiro de trinta galhos
Cada galho trinta ninhos
Cada ninho trinta ovos
Faz a conta aos passarinhos.

Rolo que andas a rolar
Onde vais fazer o ninho?
Ao pinheiro da Bemposta
No mais alto ramalhinho.

AS/CEDM

A laranja quando nasce

A laranja quando nasce
Nace sempre redondinha…
Também tu quando nasceste
Foi logo para ser minha.

A laranja sem a tona…
É uma galantaria…
Bem tolo é quem aceita
Falas de pouca valia.

Atirei com uma laranja
Além do mar, ao Brasil…
Quem por mim perdia noites
Agora pode dormir.

Eu venho de lá de cima
Debaixo do laranjal…
Trago uma folhinha verde
No laço do avental.

Minha laranja branquinha
Branquinha de nascimento
Muito enganado anda
Quem contigo perde tempo.

Ó de trás da laranjeira
Bem te podes ir embora.
O meu pai não adorme
E eu não posso ir lá fora.

Quando te vi laranjeira
De laranjas carregada
Logo meu coração disse
Laranjeira és desgraçada.

AS/CEDM