Amieiro

O amieiro do rio
Dá-lhe o vento belangueia;
Sou leal a todo o mundo,
Todo o mundo me falseia.

O amieiro do rio
Deixa passar os peixinhos:
Quem namora às escondidas
Quer abraços e beijinhos.

O amieiro do rio
Perguntou ao do ribeiro
Qual amor era mais firme,
Se o segundo se o primeiro.

O amieiro do rio
Também tem a sua dor,
Eu também tenho a minha,
Seja ela por quem for.

O amieiro do rio
Também tem sua criada:
Eu também tenho a minha
De aguardente refinada.
(Marco de Canaveses.) JLV, I:142