Acipreste felorido

Acipreste felorido
Foi coisa que nunca vi.
Não te gabes que me deixas
Que eu nunca te pretendi.

Acipreste verde triste
Quando hás-de ser alegre?
Esse teu corpo bem feito
Quando há-de ser entregue?

Acipreste não se rega
Que ele na frescura nasce
Amor firme não se muda
Por mais martírios que passe.

Acipreste vira a ponta
Quando não quer crescer
Assim virem os olhos
De quem me não pode ver.

A maçã no acipreste
Não apodrece nem cai
A amizade que eu tinha
Era pouca …já lá vai.

Assubi ao acipreste
Cheguei ao meio caí
Ó cipreste da morte
Tinha de morrer, morri.

Ó arcipreste do adro
Cobre-me com a tua sombra
Que eu furtei uma menina
Não tenho onde a esconda.

Ó arcipreste do adro
Retiro dos passarinhos
A quem deste os abraços
Dá-lhe também os beijinhos.

CPVR/APL